EM CADA SONHO UM POEMA, UMA ALMA, UM CORAÇÃO DESFEITO DE MILHENTAS ATITUDES...SOLTA-TE PELO VAGUEAR DOS PENSAMENTOS, LÊ POESIA E DESCOBRE-TE NA IMENSIDÃO DAS PALAVRAS!...Yaleo 

Domingo, 23 de Maio de 2010
A palavra "Cidadania" tomou conta de nós

A palavra cidadania tomou conta do nosso dia-a-dia. Ela está presente no discurso de políticos, educadores, líderes comunitários, organizações não governamentais, nos jornais, rádio, internet e televisão…Isso pode significar uma mudança de mentalidade que contribui para a construção de uma sociedade mais justa e democrática, mas também pode resultar na banalização da palavra, esvaziando seu verdadeiro significado, pois muita gente confunde cidadania com poder político. A ideia de cidadania é muito antiga, remonta à “pólis grega”, há cerca de 2.500 anos, e foi mudando ao longo da história. Não é de hoje que o homem tenta criar mecanismos para viver numa sociedade justa e igualitária. Essa concepção está vinculada ao surgimento da vida de uma terra, à participação nas decisões sobre os rumos da vida social e ao exercício de direitos e deveres dos cidadãos. Alguns momentos importantes desse processo foram: a Independência dos Estados Unidos; a Revolução Francesa; a criação da Organização das Nações Unidas - ONU, após a Segunda Guerra Mundial…O mundo foi crescendo de encontro com aquilo que hoje chamamos de direito à cidadania.

 

Ser cidadão hoje é ter direitos e deveres e essa definição deve muito à publicação da Carta de Direitos da ONU (1948). Nela afirma-se que todos os homens são iguais perante a lei, independentemente de raça, credo e etnia. Confere-se o direito a um salário digno, à educação, à saúde, à habitação e ao lazer. Assegura-se o direito de livre expressão, de militar em partidos políticos, sindicatos, movimentos e organizações da sociedade civil.

Foi, há bem pouco tempo que escrevi sobre “Cidadania” e parece que surtiu algum efeito na comunicação social. No entanto não consegui ver “frutos” como gostaria na opinião pública, pelo que continuo a batalhar nos direitos do cidadão, chamado “Cidadão comum”.

Os direitos como os conhecemos hoje, não surgiram do nada. Ao contrário, são resultado de muitas lutas de outras gerações e, mesmo com as Constituições denominadas modernas e democráticas, ainda é preciso lutar para que os direitos expressos nas leis, sejam de facto cumpridos nas nossas vidas. Há, por exemplo, direitos conquistados no passado que estão sendo perdidos com a economia globalizada, como alguns direitos trabalhistas. Portugal está a viver a denominada crise, que muitos não entendem porquê, mas tudo fazem para que ela seja cada vez uma maior crise. Portugal vive um momento em que lamentavelmente os direitos não são iguais para todos, falo de saúde, educação, (…) habitação e até o lazer.

É necessário que os portugueses percebam que cidadania pressupõe um compromisso colectivo, algo que diz respeito a todos. Se existe um problema na nossa rua, no nosso bairro, na nossa vila, na nossa cidade, no nosso país, ele é um problema de todos. Não podemos, nem devemos cruzar os braços e aguardar que alguém se lembre de o resolver, que a lei seja a solução. É preciso organizar-se, reivindicar, buscar soluções e pressionar os órgãos governamentais competentes, pois participar da vida pública significa assumir o lugar de quem interfere e é co-responsável pelo rumo da história de sua terra. Lamento ver na nossa terra, pessoas que não aceitam as opiniões dos outros, lamento que a cidadania seja imperada apenas por alguns, lamento que somente com austeridade se consiga alguma coisa.

A cidadania pressupõe um grande desafio: a construção do espaço público, onde são reconhecidos os direitos e deveres dos cidadãos. É importante que as pessoas entendam que um grupo de cidadãos, não é um grupo de políticos, famintos de poder, austeros e mandões que se acham os donos de uma terra ou de um país. Nunca se viu tantos movimentos de cidadãos, juntarem-se para “gratuitamente” exercerem a cidadania e lutarem pelo que falta na sua terra.

É mais do que importante salientar que um movimento de cidadãos, implica o tratamento indiferenciado de todos, isto é, um tratamento que não privilegia ninguém em especial, em que não existem interesses pessoais por mais que queiram assim fazer crer ao “povo”. As amizades ou relações familiares não podem promover vantagens como o nepotismo – O nepotismo é algo visível e inadmissível nos dias de hoje. Portugal vive uma taxa de desemprego assustadora, o dinheiro anda distribuído pelos ricos e milionários, que brincam constantemente com os pobres. Fechemos portas a polacos, a romenos a russos entre outros que venham para cá usufruiu de rendimentos mínimos pagos pelos nossos impostos. As portas da União Europeia devem estar abertas a quem deseja trabalhar e pagar os seus impostos. Compreendo a emigração e imigração, sei o quanto por vezes é necessário para que uma família sobreviva, mas trabalhando. Estamos a pagar rendimentos mínimos a estrangeiros que apenas desejam viver da “malandrice”. Portugal é pequeno demais para nos deixarem rebolar pelo precipício. Deixemo-nos de grandezas e juntemo-nos todos na rua, está na hora de parar Portugal e exigir do governo um Portugal sério.

Na nossa terra por exemplo acontece algo do género: Quando um cidadão precisa resolver uma questão pública, acaba sempre por precisar de um favor para a conseguir. Aquilo que é um direito normalmente transforma-se num favor, existe um tratamento impessoal. Assistimos a uma Assembleia onde um partido político como o CDS se assemelha a algo do género. Onde suas promessas eleitorais não passaram de mentiras frustrantes para quem votou e confiou no seu líder.

Estas relações são resultados do processo de má construção da cidadania e da democracia que em Portugal, estando ao serviço de um Estado que manteve privilégios e consolidou a tendência a “privatizar” o espaço público, deu demais a quem não devia dar. O que é de todos é visto como o que não é de ninguém e alguns se sentem no direito de se apoderarem do património colectivo em detrimento dos outros, favorecendo por vezes familiares. Temos visto que Arrifana é uma Vila de alguns privilegiados e quando um cidadão comum fala é atacado com tom agressivo e violento, na maioria das vezes sem respeito pela questão levantada. Arrifana tem uma autarquia com pouca cortesia, em que a sua polidez se caracteriza por falta de instrução. A delicadeza com que se deve falar a um munícipe, simples cidadão com direito a questionar não existe. Está na hora dos autarcas se reciclarem, traçarem um rumo que inclua o cidadão, que inclua o respeito pelo mesmo… é triste ver pessoas formadas, com habilitações académicas, serem falantes despropositados, serem agressivos e indelicados. Garantir a democracia e construir a cidadania estão na direcção contrária das soluções “malandras” que os autarcas utilizam.

Ainda na última Assembleia, ouvi um cidadão sugerir algo que quanto a mim deveria ter sido acatado e quem sabe repensado e no entanto foi respondido com “sete pedras na mão” como se o facto fosse consumado. Nada hoje é certeza amanhã. Construir o Centro Escolar em Arrifana, num local com estrada sem saída, junto a um campo de futebol é realmente algo pouco pensado. Foi sugerido que o mesmo fosse construído no campo de futebol existente uns metros abaixo, onde a fluidez do transito seria melhor e onde a escola teria uma bonita vista. Ficou ainda no ar, a possibilidade da construção de um pavilhão no local das escolas e aí sim haver uma ligação desportiva, quer do “Arrifanense futebol Clube”, quer do Centro escolar. Pensar é só para alguns, mas outros respondem que vai ser ali e somente ali mesmo contra a sua vontade. Ora se a sua vontade, Sr. Presidente da Junta, não é essa porque não aceitar e repensar uma sugestão de um simples cidadão? A Política tem uma grave doença, o coração ao pé da boca, precisa de se curar.

Resta-me felicitar os cidadãos presentes na última Assembleia, começa-se a ver que o “povo” também se interessa pela sua terra.

 

Se consultarem o meu antigo artigo sobre Cidadania, verificarão a importância que a Comunicação Social lhe deu, talvez porque esteja na hora de mudanças.

 

O jornal Terras da Feira publicou esta semana na sua edição online  de 17 de Maio de 2010 um excerto e  em suporte de papel na íntegra, o meu artigo, pelo que agradeço. É importante que esta palavra [Cidadania] entre no vocabulário dos cidadãos e sobretudo dos políticos.



publicado por Yaleo às 18:04
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